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Tribalistas fazem lavagem da alma da tribo em show marcado por 'efeitos especiais'

July 30, 2018

A sincronia foi perfeita. Quando os Tribalistas começaram a cantar Água também é mar (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2000), música lançada há 18 anos na voz de Marisa Monte, começou a chover no estádio Arena Fonte Nova, dando sentido concreto aos versos "Chuva também / É água do mar lavada".

"Tá rolando um efeito especial", brincou a cantora. Integrante do trio formado oficialmente na Bahia em 2002, Carlinhos Brown entrou na onda e, diante da chuva que então caía sem trégua, disse que era a "lavagem da tribo".

A tribo era o público que encheu na noite de ontem, 28 de julho de 2018, o estádio de Salvador (BA), cidade onde Arnaldo Antunes, Brown e Marisa compuseram os repertórios dos dois únicos álbuns do trio, ambos intitulados Tribalistas e lançados em 2002 e em 2017.

A fala de Brown teve lógica. A estreia internacional da primeira turnê do trio promoveu também a lavagem da alma dessa tribo que esperou há 16 anos por um show do grupo. Para essa tribo, os efeitos da chuva – que provocaram turbulências nos efeitos visuais, interrompidos momentaneamente pela falta de sincronia entre músicas e imagens do telão – fizeram parte do show.

Resolvidos os problemas técnicos, geradores de tensões mais no palco e nos bastidores do que na plateia, o show voltou a transcorrer fluente, com o trio pondo – como sublinharam no verso-refrão da música-manifesto que abriu e encerrou o show, Tribalistas (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2002) – a fé na taba adornada com telões que projetaram imagens que valorizaram músicas como Carnavália (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2002), cantada em coro pelo público e apresentada com a exposição de fotos em preto e branco de sambistas anônimos que evoluem ao som da batucada.

Foi um show previsível até certo ponto – até porque todo mundo já sabia que os apoteóticos números finais seriam Já sei namorar (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2002) e Velha infância(Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte, Davi Moraes e Pedro Baby, 2002), os dois mega-hits do primeiro álbum do trio.

Esse disco de 2002, aliás, teve imediata empatia popular, não bisada, no ano passado, no lançamento do segundo álbum. Ainda que a romântica Aliança (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte, Pedro Baby e Pretinho da Serrinha, 2017) tenha sido cantada em coro pela tribo, ficou claro que quase todas as músicas desse segundo álbum surtiram efeito (bem) menor no público – entre elas, Fora da memória (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte, Pedro Baby e Pretinho da Serrinha 2017) e Lutar e vencer (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2017). Anjo da guarda (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2002), música do primeiro disco, também contribuiu para que a energia baixasse momentaneamente.

Contudo, houve fartura de sucessos em roteiro estruturado para o show ser uma "grande celebração", como Arnaldo Antunes caracterizou apropriadamente em cena. Nesse sentido, a turnê internacional – que seguirá para outras oito capitais do Brasil até setembro antes de partir para o exterior – cumprirá a expectativa igualmente grande do trio, a julgar pela estreia na cidade natal de Brown e de Margareth Menezes, convidada-surpresa de Passe em casa (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte e Margareth Menezes, 2002), primeira música do festivo bloco final do show.

Espetáculo moldado para grandes espaços, o show Tribalistas gravitou ao redor do universo particular gerado pela união de três excelentes compositores. Vislumbrado há uma semana por foto postada por Pretinho da Serrinha em rede social, o roteiro de 28 músicas foi inteiramente autoral.

A rigor, o trio fez show para a aldeia que entende os códigos zen-budistas dos Tribalistas, espécies de hippies tardios, discípulos de novos velhos baianos. Tanto que a comunitária canção Vilarejo (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte e Pedro Baby, 2006) – lançada em disco solo de Marisa e revivida pelo trio em belíssimo número iniciado como mantra – se ajustou perfeitamente ao universo particular dos Tribalistas pela atmosfera de paz que envolveu o repertório e o show.

Os Tribalistas soaram easy, leves, mesmo quando tocaram em questões densas como o êxodo de povos que abandonam os países de origem em busca de paz, assunto de Diáspora (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2017), uma das músicas mais inspiradas do segundo álbum dos Tribalistas ao lado de Baião do mundo (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2017), ausência sentida em roteiro que abriu espaços para sucessos românticos da discografia solo de Marisa, chefe informal da aldeia.

Balada portentosa, à altura das áureas canções de Roberto Carlos, Depois(Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2011) foi um dos ápices da estreia da turnê, em número valorizado pelos efeitos de luzes de celulares dos artistas e da plateia.

Foi efeito especial de noite regada a canções melodiosas como É você(Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2002) e Carnalismo(Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte e Cezar Mendes, 2002), música em que sobressaiu o grave robusto da voz miscigenada de Brown.

Em sintonia com esse universo musical, os arranjos – criados pelos Tribalistas com a banda formada pelos músicos e parceiros do trio Dadi Carvalho (baixo, guitarra, teclados e vocal), Pedro Baby (violão, guitarra e vocal) e Pretinho da Serrinha (percussão, cavaquinho e guitarra), além do sempre preciso baterista Marcelo Costa – soaram quase uniformes dentro da elegante atmosfera sonora que realçou e sustentou a leveza da arquitetura melódica das canções.

Nesse quesito, o da canção, os Tribalistas desfilaram majestosos – com direito ao belo figurino-carnavália de Marisa – porque a obra autoral que o trio ergueu ao longo dos últimos 20 anos sempre foi digna de figurar em qualquer antologia da música pop brasileira do século XXI.

Em cena, o trio desfiou memórias, crônicas e declarações de amor – em canções de apelo pop(ular) como Até parece ((Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte e Dadi Carvalho, 2006) e Amor I love you(Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2000) – com a mesma naturalidade com que emulou a nobreza da velha guarda quando caiu no samba Universo ao meu redor (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2006) ou quando entrelaçou os cantos de Consumado (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2004) e Paradeiro (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2001), músicas lançadas em álbuns da discografia solo de Arnaldo.

Enfim, com fé na taba e na fidelidade da tribo, os Tribalistas fizeram show com efeitos visuais e especiais – os programados e os imprevistos – que marcaram noite de "grande celebração" na aldeia de alcance universal, lavando a alma e o corpo da tribo que ansiava pela reunião nos palcos de Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte.

Como cantam no verso da canção, eles provaram em cena que, juntos, pareceram realmente ser um só. (Cotação: * * * *)

♪ Eis o roteiro seguido na noite de 28 de julho de 2018 por Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte na na estreia internacional da turnê do show Tribalistas no estádio Arena Fonte Nova, em Salvador (BA):

1. Tribalistas (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2002)

2. Carnavália (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2002)

3. Um só (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte e Brás Antunes, 2017)

4. Vilarejo (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte e Pedro Baby, 2006)

5. Anjo da guarda (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2002)

6. Fora da memória (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte, Pedro Baby e Pretinho da Serrinha 2017)

7. Diáspora (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2017)

8. Água também é mar (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2000)

9. Um a um (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2002)

10. Ânima (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2017)

11. É você (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2002)

12. Carnalismo (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte e Cezar Mendes, 2002)

13. Aliança (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte, Pedro Baby e Pretinho da Serrinha, 2017)

14. Até parece (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte e Dadi Carvalho, 2006)

15. Não é fácil (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2000)

16. Sem você (Busy man) (Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, 1998)

17. Lá de longe (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2002)

18. Lutar e vencer (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2017)

19. Universo ao meu redor (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2006)

20. Infinito particular (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2006)

21. Paradeiro (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2001) /

22. Consumado (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2004)

23. Amor I love you (Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2000)

24. Depois (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2011)

25. Trabalivre (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte e Carminho, 2017)

26. Passe em casa (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte e Margareth Menezes, 2002)

27. Já sei namorar (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2002)

28. Velha infância (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte, Davi Moraes e Pedro Baby, 2002)

29. Tribalistas (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2002) – em off

♪ O colunista viajou a Salvador (BA) a convite da produção da turnê do show Tribalistas.

Fonte: G1

 

 

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